O Rio Grande do Norte fechou o primeiro semestre de 2026 com alta de 8% no valor exportado em relação ao mesmo período do ano passado. O número consta do boletim trimestral da Câmara de Comércio Exterior do RN, divulgado na quinta-feira (20).
Dois setores explicam quase toda a variação: o sal marinho, extraído principalmente em Macau, Areia Branca e Mossoró, e a fruticultura irrigada do Vale do Açu e do Oeste potiguar.
A composição da pauta
| Setor | Participação | Destino principal |
|---|---|---|
| Sal marinho | 29% | Mercado interno e Caribe |
| Frutas frescas | 26% | União Europeia |
| Pescados e camarão | 14% | Estados Unidos |
| Têxtil e confecção | 11% | América do Sul |
| Demais itens | 20% | Diversos |
A concentração tem um lado incômodo. Metade da pauta depende de dois produtos sensíveis a clima e a preço internacional — o que significa que um semestre ruim de chuvas ou uma retração na Europa reverte o resultado com facilidade.
Exportar mais é bom. Exportar sempre as mesmas quatro coisas é frágil. A diversificação da pauta é uma agenda de dez anos e ainda não começou de verdade.
Bruno Aragão, economista

O gargalo é o mesmo de sempre
Nas conversas com produtores, a reclamação praticamente não muda de assunto: custo e tempo de escoamento. As três queixas mais citadas foram:
- Falta de frequência regular em rotas de carga refrigerada.
- Estado das rodovias que ligam o Vale do Açu ao litoral.
- Tempo de liberação documental, que encarece a operação em produtos perecíveis.
A entidade projeta encerrar o ano com crescimento entre 5% e 7%, abaixo do ritmo do semestre. A projeção considera uma segunda metade de ano mais fraca para o sal e estável para as frutas.
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