Mossoró quer transformar sua posição geográfica em vantagem competitiva. O plano apresentado na semana passada pela agência de desenvolvimento do Oeste potiguar prevê a criação de um polo logístico integrado, com centro de distribuição, pátio de cargas e área alfandegada.
O argumento é simples: a cidade fica no meio do caminho entre Natal e Fortaleza, próxima ao Vale do Açu e a menos de duas horas dos portos do litoral norte.
O que o plano propõe
- Centro de distribuição com 120 mil m² em área já desapropriada.
- Pátio regulador de caminhões com capacidade para 400 veículos.
- Redução escalonada de ISS para operadores logísticos por dez anos.
- Terminal de carga refrigerada voltado à fruticultura e ao pescado.

A reação da capital
Entidades empresariais da Grande Natal receberam o anúncio com desconforto. A leitura na capital é de que incentivos fiscais concedidos por um município acabam apenas deslocando operações já existentes dentro do estado, sem gerar investimento novo.
Guerra fiscal entre cidades do mesmo estado é jogo de soma zero. Alguém ganha o galpão e o estado inteiro perde arrecadação.
Íris Cavalcanti, representante de entidade empresarial
Do lado de Mossoró, a resposta é que a concentração de investimento na faixa litorânea já dura décadas e que o interior precisa de instrumento próprio para competir.
O papel do governo estadual
Interlocutores do governo estadual dizem, reservadamente, que a intenção é costurar um acordo de complementaridade — Natal como porta de entrada de carga aérea e turismo, Mossoró como centro de distribuição terrestre. Nenhum documento formal nesse sentido foi apresentado até agora.
A discussão deve esquentar nos próximos meses, quando o tema entra oficialmente no debate orçamentário.
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